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Saturday, May 19, 2012

Série Close

Barcelona

Paris


Alergia a doces


"Still these allergies remain

My hand can't touch a guitar string
My fingers just burn and ache
My head intercedes with my bodily needs
And my body won't give it a break
My heart can stand a disaster
My heart can take a disgrace
But my heart is allergic
To the women I love
And it's changing the shape of my face
Allergies.

Open up it's me again
I go to a famous physician
I sleep in the local hotel
From what I can see of the people like me
We get better
But we never get well
So I ask myself this question
It's a question I often repeat
Where do allergies go
When it's after a show
And they want to get something to eat?
Allergies."

Uma foto Legal


"Difícil fotografar o silêncio.

Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. 
Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. 
Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. 
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. 
Preparei minha máquina de novo. 
Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. 
Fotografei o perfume. 
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. 
Fotografei o perdão. 
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. 
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. 
Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. 
Fotografei a nuvem de calça e o poeta. 
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal."

Alguns dos nossos podem voar

Friday, July 2, 2010

Fora do mundo, o perigo é viver.

"Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus.

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
.

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada.

Que ao findar vai dar em nada
Do que eu pensava encontrar."